7ª edição da Farmacopeia Brasileira inclui método alternativo ao uso de testes em animais

7ª edição da Farmacopeia Brasileira inclui método alternativo ao uso de testes em animais

Uma das novidades desta edição é a inclusão do teste de ativação de monócitos, conhecido como teste MAT

Anvisa aprovou, em 13/11, a 7ª edição da Farmacopeia Brasileira, que atualiza o compêndio com a inclusão de 12 novos itens entre métodos, monografias e textos farmacopeicos.

 

Farmacopeia Brasileira 

A Farmacopeia Brasileira (FB) é o compêndio farmacêutico nacional que estabelece, por meio de textos farmacopeicos (capítulos, métodos e monografias), as exigências mínimas de qualidade, autenticidade e pureza de insumos farmacêuticos, medicamentos e outros produtos sujeitos à vigilância sanitária. Ou seja, é uma referência científica para a verificação da qualidade dos fármacos e matérias-primas e também para a sua fiscalização.

No caso da 7ª edição do compêndio, houve a formação de 2 grupos de trabalho que foram os responsáveis pela elaboração das propostas do capítulo sobre o teste de ativação de monócitos e do capítulo sobre estudos de correlação in vitro-in vivo.

 

Leia mais: Você sabe o que é Farmacopeia Brasileira? 

 

Teste de ativação de monócitos

Uma das novidades desta edição é a inclusão do teste de ativação de monócitos, conhecido como teste MAT. Este é um método alternativo ao uso de animais para avaliação de pirogênios, que são substâncias que aumentam a temperatura corporal.

Na prática, a inclusão do teste na FB permite que o seu uso seja ampliado pelo setor produtor de medicamentos, já que a Farmacopeia representa a validade do teste para fins de regularização e fiscalização.

O teste MAT passa a ser prioritário, em alinhamento à estratégia de redução do uso de testes em animais. Ainda assim, por limitações técnicas, o teste de pirogênios em coelhos está sendo mantido na nova versão.

 

 

Entenda os tipos de Testes para avaliação de pirogênios

Teste de Ativação de Monócitos

Assim como o teste de pirogênios em coelhos, o teste de ativação de monócitos – MAT tem a capacidade de detectar os pirogênios totais, isto é, os pirogênios do tipo endotoxina bacteriana e os pirogênios do tipo não-endotoxina (NEPs), sendo o teste preferencial para essa detecção em produtos de administração parenteral. Assim, recomenda-se a sua utilização, em detrimento do teste de pirogênios em coelhos visando à redução de uso de animais. A elaboração do método para a Farmacopeia Brasileira envolveu compreensão e alinhamento do método da Farmacopeia Europeia, aspectos da metodologia de validação e metodologia de rotina em adequação a realidade brasileira.

 

Teste de pirogênios em coelhos

Não houve alteração na descrição do método, apenas atualização da sua numeração para melhor compreensão e organização dos testes para avaliação de pirogênios.

 

Teste de endotoxinas bacterianas

Não houve alteração na descrição do método, apenas atualização da sua numeração para melhor compreensão e organização dos testes para avaliação de pirogênios.

 

Teste Toxicidade

O teste Toxicidade foi excluído de todas as monografias de vacinas e produtos biológicos na 6ª edição da Farmacopeia Brasileira, permanecendo apenas na monografia de antimoniato de meglumina solução injetável. Conforme consta no método geral. Este teste visa à detecção de reatividade biológica inesperada, sendo recomendado para avaliação da segurança de produtos biológicos e derivados de biotecnologia. Trata-se de um teste inespecífico, de baixa reprodutibilidade e de difícil validação. Atualmente há outros métodos mais específicos que podem ser empregados nas diversas situações de avaliação da qualidade. Ainda, a exclusão deste método se alinha com o cenário internacional sobre o tema e com os objetivos estratégicos definidos no Plano Estratégico Quinquenal da Farmacopeia Brasileira:

2 – Modernizar a Farmacopeia Brasileira com foco na sustentabilidade/ Ações: Reduzir a utilização de solventes nocivos e uso de testes em animais.

 

Atualizações

A atualização da Farmacopeia é resultado de diversas consultas públicas editadas ao longo de 2023 e 2024. Ao todo, o texto foi atualizado com a inclusão de 12 métodos, monografias e textos farmacopeicos, a revisão de outros 47 itens e a exclusão de dois textos. A 7ª edição da Farmacopeia Brasileira é, em realidade, uma atualização da 6ª edição, sendo chamada de nova edição para concretizar o processo de consolidação das atualizações realizadas até então e para estabelecer um marco temporal importante: a comemoração dos 25 anos da Anvisa.

 

Fonte da imagem: Envato

Fonte: NOTA TÉCNICA n.º 16/2024/SEI/COFAR/GELAS/DIRE4/ANVISA Processo n.º 25351.930989/2022-42. Fundamentação e encaminhamento de proposta de Consulta Pública para atualizar o compêndio da Farmacopeia Brasileira. 04/08/2024.