- 2 de abril de 2025
- Posted by: Grupo IBES
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Como a inteligência emocional impacta a prática médica?
Conflitos podem surgir facilmente devido a diferenças de opinião, sobrecarga, estresse, comunicação inadequada e problemas organizacionais
A inteligência emocional (IE) é um conjunto de habilidades que permite que os indivíduos reconheçam, compreendam e gerenciem suas próprias emoções, bem como as emoções dos outros. Na medicina, a IE é fundamental, pois envolve uma ampla gama de interações com pacientes, colegas e equipes multidisciplinares. Abaixo estão os principais conceitos sobre como a inteligência emocional impacta a prática médica, acompanhados de referências para uma compreensão mais aprofundada.
- Autoconhecimento Emocional
- Conceito: Refere-se à capacidade do médico de reconhecer suas próprias emoções e como elas afetam seu comportamento, decisões e interação com pacientes. O autoconhecimento é o primeiro passo para gerenciar o estresse e a tomada de decisões eficazes no ambiente médico.
- Referência: Goleman, D. (1995). Emotional Intelligence: Why It Can Matter More Than IQ. Bantam Books.
- Autocontrole
- Conceito: Envolve a habilidade de gerenciar e controlar as emoções de maneira construtiva, mesmo em situações de estresse elevado, como em unidades de emergência ou durante decisões difíceis.
- Referência: Mayer, J. D., & Salovey, P. (1997). What is emotional intelligence?. In P. Salovey & D. J. Sluyter (Eds.), Emotional development and emotional intelligence: Implications for educators (pp. 3-31). Basic Books.
Leia mais: A importância da inteligência emocional no local de trabalho
- Empatia
- Conceito: A empatia é a habilidade de compreender e compartilhar os sentimentos dos pacientes. Na medicina, isso é essencial para construir uma relação de confiança, proporcionar um cuidado humanizado e melhorar a adesão ao tratamento.
- Referência: Hojat, M. (2016). Empathy in patient care: Antecedents, development, and outcomes. Springer.
- Habilidades Sociais
- Conceito: Refere-se à capacidade de interagir eficazmente com colegas, pacientes e outros profissionais de saúde, mantendo um ambiente colaborativo e respeitoso. Isso envolve comunicação eficaz, resolução de conflitos e trabalho em equipe.
- Referência: Goleman, D. (1998). Working with emotional intelligence. Bantam Books.
- Gestão do Estresse
- Conceito: Os médicos enfrentam situações de alta pressão e emoções intensas. A habilidade de gerenciar o estresse é uma faceta importante da IE, pois impacta a tomada de decisões e a manutenção da saúde mental.
- Referência: Dyrbye, L. N., et al. (2006). Burnout and distress among US medical students. JAMA, 296(9), 1071-1078.
- Tomada de Decisão Emocionalmente Inteligente
- Conceito: A capacidade de tomar decisões considerando não apenas os aspectos técnicos, mas também o impacto emocional de cada escolha, tanto para o paciente quanto para os profissionais de saúde.
- Referência: Salovey, P., & Mayer, J. D. (1990). Emotional intelligence. Imagination, Cognition, and Personality, 9(3), 185-211.
- Comunicação Eficaz
- Conceito: A IE facilita uma comunicação clara e empática, especialmente em momentos difíceis, como a entrega de más notícias ou quando há necessidade de discutir opções de tratamento com os pacientes e suas famílias.
- Referência: Larson, E. B., & Yao, X. (2005). Clinical empathy as emotional labor in the patient-physician relationship. JAMA, 293(9), 1100-1106.
- Resiliência Emocional
- Conceito: A capacidade de se recuperar e se adaptar rapidamente às adversidades, aprendendo com experiências desafiadoras e mantendo a eficácia profissional em momentos de crise.
- Referência: Southwick, S. M., et al. (2005). Resilience in the face of adversity: Clinical studies and implications for the prevention and treatment of stress-related psychopathology. American Journal of Psychiatry, 162(3), 469-478.
- Inteligência Emocional no Cuidado Centrado no Paciente
- Conceito: A IE é essencial para adotar uma abordagem centrada no paciente, considerando não apenas a condição médica, mas também as emoções, necessidades e preferências dos pacientes ao planejar o tratamento.
- Referência: Epstein, R. M., & Street, R. L. (2011). Patient-centered care: A systematic analysis of the literature. Journal of General Internal Medicine, 26(2), 112-122.
- Inteligência Emocional e Liderança na Medicina
- Conceito: Médicos com alta inteligência emocional tendem a ser melhores líderes, pois conseguem lidar com o estresse de suas equipes, promover uma cultura de colaboração e incentivar o desenvolvimento dos colegas.
- Referência: Goleman, D., Boyatzis, R. E., & McKee, A. (2002). Primal leadership: Realizing the power of emotional intelligence. Harvard Business Press.
Conclusão
A inteligência emocional é uma competência fundamental para os profissionais de saúde, especialmente médicos, pois permite que eles lidem com as demandas emocionais de sua profissão, interajam de forma empática com os pacientes e suas famílias e tomem decisões mais equilibradas. Além disso, a IE desempenha um papel importante na criação de ambientes de trabalho mais saudáveis, colaborativos e eficazes. Desenvolver essas habilidades é essencial para proporcionar um atendimento de saúde de qualidade, melhorar o bem-estar dos profissionais e otimizar os resultados para os pacientes.
Fonte da imagem: Envato
Referências:
• Dyrbye, L. N., et al. (2006). Burnout and distress among US medical students. JAMA, 296(9), 1071-1078.
• Epstein, R. M., & Street, R. L. (2011). Patient-centered care: A systematic analysis of the literature. Journal of General Internal Medicine, 26(2), 112-122.
• Goleman, D. (1995). Emotional Intelligence: Why It Can Matter More Than IQ. Bantam Books.
• Goleman, D. (1998). Working with emotional intelligence. Bantam Books.
• Hojat, M. (2016). Empathy in patient care: Antecedents, development, and outcomes. Springer.
• Larson, E. B., & Yao, X. (2005). Clinical empathy as emotional labor in the patient-physician relationship. JAMA, 293(9), 1100-1106.
• Mayer, J. D., & Salovey, P. (1997). What is emotional intelligence?. In P. Salovey & D. J. Sluyter (Eds.), Emotional development and emotional intelligence: Implications for educators (pp. 3-31). Basic Books.
• Salovey, P., & Mayer, J. D. (1990). Emotional intelligence. Imagination, Cognition, and Personality, 9(3), 185-211.
• Southwick, S. M., et al. (2005). Resilience in the face of adversity: Clinical studies and implications for the prevention and treatment of stress-related psychopathology. American Journal of Psychiatry, 162(3), 469-478.